![]() HOJE ACORDEI CHORANDO
Sonhei que estava bem no meio Das enchentes que matou tanta gente E deixou tantas outras desabrigados! Vi-me no sonho, desamparado, assustado Olhava pra todo lado, morri de tanto desgosto Senti-me flagelado! Eram tantas as crianças, corpos cheios de frio Choros de fome e de sede, pais sem alguma esperança Olhar de quem perdeu tudo! Casa, móveis, parentes. Pessoas desesperadas Tentando achar na lama, parte de sua dignidade! Já não sabia mais onde era a enchente... Do lado De fora do abrigo, corpos enlameados famintos Do lado de dentro, agonias, um mar de lágrimas Afogava a alma dos sobreviventes. Hoje... Acordei com o peito doído, senti a dor De um povo esquecido e me peguei chorando... Que ironia do destino! Uns morrendo soterrados Por conta da lama do descaso! Enquanto outros, lá no sertão nordestino Flagelados, morrendo de fome e de sede Pelo mesmo motivo! Paulo Cesar Coelho
Enviado por Paulo Cesar Coelho em 04/12/2008
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