SURUBA POÉTICA?
Foi assim! Uma noite chuvosa lá no alto da serra. A coruja cantava sua cantoria e a gente dançava ao som da alegria. A panela elétrica tocava um chiado gostoso de gordura fritando pedaços de linguiça, lombo e costelinha defumada. A cebola cortada miudinha, o tomate e o arroz misturado iam embalando nossa conversa. Olha, conversa era o que não faltava!
Tudo muito alegre e não poderia ser diferente. Um lugar tão lindo!
Onde o verde da paisagem se misturava com o "verde-algazarra" das maritacas. Um lugar onde o verde da árvore se contrastava com o vermelho suculento das pitangueiras e o perfume das flores campestres molhadas da chuva se juntava com o cheiro gostoso vindo lá, da panela.
Estava tudo perfeito, tudo em sintonia, por vezes uma risada mais forte de uma piada bem contada tirava da noite a harmonia.
Mas nada se comparou quando um sapinho se escondeu da chuva e adentrou em nossa poesia. Teve gente que se escondeu (Marisa), teve gente que nem se mexeu (Aline). Mas teve uma amiga de nome (Dilce), que desceu do salto, subiu na cadeira e gritou lá do alto:
Ele está subindo… Gente, ele está subindo!
Naquele instante, fiquei a imaginar: o que não pensariam os vizinhos? Uma festa de tantas risadas, tantas cantorias e, no final, aquele alvoroço, aquela euforia com alguém gritando: ele está subindo…
Para eles, certamente se tratava de uma Suruba Poética!
Para nós, nada além de um pavor paralisante por causa de um sapo ficante, em nossa festa.