

Além das fronteiras geladas.
Depois das fronteiras de gelo da Antártica existe um lugar onde o frio deixa de ser temperatura e vira memória da criação. Ali, o vento não sopra: ele narra. Conta histórias de estrelas que se perderam de mares que ainda não nasceram e de pássaros que sonham com asas de cristal.
Depois das fronteiras de gelo, a Terra respira num ritmo antigo, como se estivesse lembrando de quando era jovem e brincava de fazer montanhas com as mãos.
Há uma claridade que não dói nos olhos, uma luz que parece vir de dentro da água, como se o próprio oceano rezasse por nós.
E dizem — mas só dizem aos poetas — que é lá, nesse além-silencioso do mundo, que dorme o primeiro verso ainda congelado, esperando alguém com coragem suficiente para acordá-lo.
Paulo Cesar Coelho
Enviado por Paulo Cesar Coelho em 17/01/2026
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