

TravessiaTalvez a vida seja esse ensaio áspero Onde o corpo aprende limites E a alma finge que se esqueceu do infinito...
Aqui, tudo pesa O tempo cobra, O amor dói, O medo ensina.
Ainda assim, entre ruínas E dias comuns, brotam belezas Desnecessárias.
Um riso, Um gesto, Um verso que não precisava.
Se isso é a parte dura, a escola Do agora, imagino o depois Como um lugar sem bordas, Onde não se anda, Não se chega, Não se parte.
Um estado de paz sem comparação, Onde nada se possui porque nada falta, Onde o ser não habita o corpo, Apenas vive.
Talvez morrer seja apenas Desapertar os nós, devolver à eternidade, O que aqui chamamos De “eu”.
E se for assim, Que a vida continue sendo Esse aprendizado Imperfeito, Bonito, Dolorido, Necessário -
Até que um dia a gente acorde Do lado de lá e descubra Que nunca deixou de estar Na imensidão…
Poetas fazem isso: Conversam com o abismo E depois escrevem para não Assustar o silêncio Da solidão.
Paulo Cesar Coelho
Enviado por Paulo Cesar Coelho em 17/01/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|