

Conversa de Gênios à Beira do Invisível
Na varanda do silêncio, Onde o tempo desaprendeu a correr, Sentaram-se juntos — Machado de Assis, com seu olhar de dentro E Guimarães Rosa inventando o idioma do vento.
A alma — disse Machado — É um labirinto que se escreve sozinho.
Do nada, respondeu Rosa — Alma é coisa que se desouve e se reouve no meio do mato.
E ali, no chão, distraído com formigas e eternidades Manoel de Barros catava as insignificâncias:
— O importante não é o verbo, É o desverbo das coisas pequenas.
De repente, uma música atravessou o ar Como se o céu resolvesse sussurrar em acordes Era um tom, o Tom Jobim, afinando o silêncio Em acordes de saudade:
— O amor é uma nota que insiste… Mesmo quando a canção acaba.
E quem ouviu, chorou bonito! Até o Chico, com meio sorriso triste, disparou:
— E às vezes a gente escreve, só para não dizer o que dói!
Lá, no fundo, mexendo com os fios invisíveis do pensamento Miguel Nicolelis murmurava:
— O cérebro é ponte… Mas ninguém sabe ainda de onde vem o rio. — Nem para onde voa — interrompeu, rindo leve, Santos Dumont, Com as mãos ainda cheias de céu: — Eu só confiei no impossível… E ele me carregou.
Então, uma mulher de silêncio aceso, Clarice Lispector Fechou os olhos para dizer, como quem não diz nada:
— Entender é tão limitado… Melhor é sentir até não caber mais.
E foi quando tudo fez sentido Ou deixou de fazer, sendo quase a mesma coisa. E no canto da mesa, como quem já sabia de tudo antes, Um poeta — talvez você — anotava: Que a genialidade Não mora no saber… Mora no instante Em que a alma Transborda. Paulo Cesar Coelho
Enviado por Paulo Cesar Coelho em 25/03/2026
Alterado em 27/05/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|