

Desaparecimentos da Memória no Alzheimer
O corpo ainda caminha, mas já não sabe para onde vai. Há um silêncio crescendo dentro da cabeça — como casa abandonada onde os móveis esquecem seus nomes. As mãos ainda tocam, mas não reconhecem o calor do que sempre foi abrigo. E o tempo… Ah, o tempo deixa de ser linha e vira um emaranhado de instantes sem começo, nem depois.
Ter Alzheimer é desaprender-se aos poucos: primeiro os nomes, depois os rostos, por fim, o espelho. O corpo vai se encurvando como quem pede desculpas à vida, e a vida, sem entender, vai ficando. Mas às vezes — (é preciso dizer isso baixinho) — uma lembrança acende feito vaga-lume na noite. Um lampejo: um riso antigo, um nome sussurrado, um amor que não esqueceu de ser. E então percebemos: Nem tudo morre de uma vez. Há coisas que resistem mesmo quando a memória parte. Talvez a alma não saiba adoecer. Paulo Cesar Coelho
Enviado por Paulo Cesar Coelho em 13/04/2026
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