Saudade é o corpo ardente que sente calafrios por quem não veio, e que permanece vazio ao mesmo tempo em que cheio...

Paulo Cesar Coelho

A mulher é a poesia que todo poeta sonha fazer.

Textos


Meus ais (como versos que morrem fatais)

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Na penumbra onde o luar descansa

Sob os véus que a noite traz no peito

Nasce um sonho, uma dor que avança

De um amor perdido, insatisfeito.

 

Teu olhar, qual lâmina, me fere

E na carne a saudade é febril

O silêncio ao redor me confere

O sussurro de um pranto gentil.

 

Oh, doce flor de um jardim distante

Que desfolha na brisa os meus ais

És tão linda, tão delirante...

Como versos que morrem fatais!

 

Se ao menos o tempo em sua aurora

Pudesse enganar meu ser cansado

Ressurgiria a paixão que aflora

No peito, um amor condenado.

 

Mas sigo só — um espectro errante

Tendo a morte como amante fria

Pois em cada beijo teu, tão distante

Há, meu túmulo e minha poesia.

 

Teu olhar, qual lâmina, me fere

E na carne a saudade é febril

O silêncio ao redor me confere

O sussurro de um pranto gentil.

 

Oh, doce flor de um jardim distante

Que desfolha na brisa os meus ais

És tão linda, tão delirante...

Como versos que morrem – jamais!

 

Paulo Cesar Coelho
Enviado por Paulo Cesar Coelho em 05/09/2026
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