

LARGUEI A MÃO
Segurei tua mão, abracei teu coração. Fui teu porto, teu conforto, Teu sorriso e teu abrigo.
Fui estrada, fui chegada, Fui carinho, fui caminho.
Dei conselho, fui espelho, Dei meu braço, dei espaço...
Fiz surpresa, dei leveza, Fiz planos, sonhos tantos Que nem sei...
Fui contigo, fui amigo, Fui presença, fui paciência. Mas, aos poucos, nossos focos Se afastaram, se estranharam.
Tuas escolhas, novas bolhas, Teus dizeres, outros quereres.
Mas palavra não faz curva É papo reto. Em cada gesto, Um protesto. Em cada Assunto: um confronto.
Já não ria, já não havia Aquele encanto, brilho No olhar. Mão na mão, Virou contramão.
Dois destinos, duas escolhas!
Sem rancor, sem favor, Sem disputa, sem luta E sem luto.
Fui até Onde deu pé. Fiz o que considero certo.
Amar não é calar-se. Nem viver sem se entender.
Se a estrada foi mudada, Se o caminho ficou sozinho O que fazer?
Soltei teus dedos, Guardando os segredos. Sem alarde, sem maldade Sem saudade...
Não! Haverá, sim, saudade É verdade, mas tudo passa Onde passa o trem.
Não foi desamor nem falta dele. Foi ver, afinal, o que é o bem E o que é o mal.
Assim, entre a razão E o coração, sigo sem alardes. Sem condenar, simplesmente, Larguei a mão!
Paulo Cesar Coelho
Enviado por Paulo Cesar Coelho em 11/10/2026
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