

BRASIL, UMA TERRA RACHADA
O Brasil amanheceu com a terra rachada. Não foi um terremoto que abriu essa fenda, essa ferida, tampouco o estrondo de uma montanha desabando. Foi o silêncio de amigos que deixaram de se falar, famílias que desaprenderam a conviver, de irmãos que passaram a se enxergar como inimigos.
Uma metade amanheceu vermelha, outra metade vestiu o manto do luto. E no meio desse abismo, um país inteiro tenta compreender em que momento a divergência virou ódio e a opinião se transformou em sentença.
Enquanto os discursos inflamam as multidões, há brasileiros contando moedas para comer, trabalhadores vencidos pelo cansaço, mães dividindo o pouco que têm, crianças esperando oportunidades e idosos procurando a própria dignidade.
Há hospitais onde a esperança espera na fila, escolas que resistem à falta de recursos, comunidades esquecidas pelo poder, e gente honesta que ainda acredita que amanhã pode ser melhor.
Não faltam riquezas nesta terra, nem braços dispostos a reconstruí-la. Faltam, tantas vezes, justiça que alcance a todos, responsabilidade de quem governa, compromisso de quem representa e consciência de quem escolhe.
Nenhum partido é maior que uma nação. Nenhum político é dono do seu povo. Nenhuma bandeira deveria valer mais que a vida de um brasileiro.
O voto termina na urna, mas a democracia continua todos os dias: na liberdade de pensar, no respeito a quem pensa diferente, na coragem de cobrar, e na humildade de reconhecer os próprios erros.
Talvez o Brasil não esteja partido ao meio por uma linha desenhada no mapa, mas por feridas que deixamos crescer.
E enquanto houver mãos dispostas ao diálogo, consciências comprometidas com a verdade crianças reclamando o seu futuro e corações que não desistam da fraternidade, ainda haverá esperança de que nessa terra rachada volte a florescer, a paz.
Paulo Cesar Coelho
Enviado por Paulo Cesar Coelho em 26/10/2026
Alterado em 26/10/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|